quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Filho Adotivo: Quando Contar a Verdade?



Adotar uma criança é uma decisão muito importante, que quando bem orientada e planejada, traz alegria para pais que não podem ter seus próprios filhos biológicos e para a criança que precisa de uma família. Mas passada essa fase que antecede a adoção, na qual o casal lida com suas dúvidas, incertezas, mitos e preconceitos, logo se deparam com uma difícil questão: quando a criança deverá saber que é adotada?
O quanto antes melhor, mesmo que aparentemente a criança não compreenda o significado das palavras. É importante falar as palavras "adoção", "adotado", "adotivo" porque ela irá escutar e mais tarde entenderá o seu significado. A criança, com o tempo, perguntará de onde ela veio. Os pais devem explicar que ela nasceu de um pai e de uma mãe que não puderam cuidar dela, e que esses são seus "pais de nascimento".
Os pais precisam contar que são os “pais de criação” ou “pais de coração”. Eles devem sempre ser os primeiros a falar com os filhos sobre o assunto da adoção e tentar fazer isso de forma tranqüila, segura e confiante, desde o momento que a criança chega a fazer parte da família.
A experiência mostra que a verdade, de alguma forma, já é sabida pela criança e ela pede essa confirmação o tempo todo, através de atitudes e comportamentos.
Manter a adoção como segredo por toda vida é muito difícil e sofrido, especialmente para os pais. Além disso, existe sempre a possibilidade da criança ficar sabendo sem querer, por outras pessoas que não sejam os pais. Quando ela descobre dessa forma poderá surgir um sentimento de traição por achar que foi enganada, de tal modo que perca a confiança nos pais.
Os pais vivem o fantasma de serem rejeitados e abandonados caso a verdade sobre a adoção seja revelada, e o que se percebe é que, após o tempo necessário da acomodação das emoções, os laços entre eles se fazem por um arranjo muito mais forte de amizade, amor e confiança.
A opinião de terapeutas, psicólogos e especialistas no assunto são praticamente unânimes: a criança tem o direito de conhecer a história de sua vida. O ideal é que o assunto seja tratado o mais cedo possível, de forma verdadeira e natural.
Segundo a psicóloga Lídia Weber, quando ocorre uma revelação tardia ou inadequada, os riscos para uma disfunção familiar são muito sérios. "Crianças que sabem após os seis anos ou através de terceiros, que não seus pais adotivos, sofrem muito e sentem-se traídos, além de passar a sentir vergonha de sua situação, pois pensam que se é uma coisa tão boa, porque os pais esconderam todo esse tempo? Contar e recontar para a criança é a primeira regra ética da adoção!", garante a doutora.

Quando falar sobre a adoção?

Como, quando e porque você deve falar com seu filho sobre suas origens
"A criança pode suportar todas as verdades" F. Dolto
Uma atitude muito importante para se preservar a saúde mental de uma criança é a de dizer claramente se ela foi adotada ou não. Dados clínicos nos mostram que a "mentira" dentro do contexto familiar, principalmente quando esta encontra-se atuando sobre a negação das origens de uma criança, atua como um fator que leva a situações patológicas.
A criança adotada se desenvolveu no útero de sua mãe biológica, na maioria das vezes em condições impróprias e sentindo-se rejeitada (sabe-se que o feto capta os estados emocionais da mãe e reage a eles). Os pais adotivos não podem negar esta "pré-história" do bebê, até porque ele mesmo viveu isso. É claro que tais informações nunca chegarão a mente em forma de lembrança, mas isso não quer dizer que elas não estejam armazenadas em algum lugar deste indivíduo.
O fato da "pré-história" do bebê ter sido "difícil" não significa que por isso ele será uma criança mais infeliz ou pior do que outra. A criança só terá prejuízos se a sua história gestacional não puder ser integrada a sua história pessoal.

Por que não se deve mentir?

Porque uma mentira nunca terá o status de verdade. Quando se mente sempre paira o "fantasma da verdade", sempre existem tropeços, enganos e um certo mal-estar familiar (por mais que os próprios pais muitas vezes não percebam isso). É é dentro desse contexto que se formam freqüentemente distúrbios psicológicos na infância.
Ao adotar uma criança você não precisa tornar público esse ato, mas é muito importante que ele seja dito em âmbito privado, isto é, na família.

Como e quando contar ao seu filho sobre a adoção?

Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que cada criança é diferente da outra, assim como cada família. Desta forma, não há como obter uma resposta padrão para essa pergunta.
É importante que os próprios pais possam ir sentindo o momento ideal. Uma grande dica para tal é tentar introduzir o assunto a partir de perguntas formuladas pela própria criança. Então, no momento em que a criança começar a formular perguntas do tipo: "Mamãe / papai ! como eu nasci?" ela estará dando um sinal de que vai ter respaldo de seu mundo interno para "compreender" o que lhe for explicado.
Sobre este "compreender" acho muito importante enfatizar que a linguagem e a forma de contar sobre a adoção para uma criança deve ser apropriada para a sua idade para que realmente haja compreensão e para que esta não seja traumática (quando a criança recebe uma informação em quantidade e qualidade incompatível para a sua idade).
A criança apreende o mundo de uma forma diferente do adulto, até porque seu potencial cognitivo ainda não foi totalmente desenvolvido. Portanto, procure falar com o seu filho da maneira mais próxima da sua compreensão, mostrando-lhe claramente o quanto você desejou e esperou a sua vinda ao mundo. Afinal, a adoção é um grande ato de amor. Não será bonito e saudável contar para o seu filho sobre essa história?
Fonte: guiadobebe.uol.com.br
Filho Adotivo: Quando Contar a Verdade?
O mito de que os pais devem explicar a adoção com a criança ainda muito pequena faz com que casais adiantem informações ainda não compreendidas, o que pode gerar dúvidas para os pequenos. "Os pais devem dizer sobre a adoção quando a criança começar a questionar de onde veio. Todos passam por este momento e isso mostra que a criança esta receptiva a este tipo de informação", diz o ex-presidente do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eric Schussel.
Outro ponto fundamental é tentar ter informações sobre a origem do filho para que, quando ele questionar, os pais tenham informações verdadeiras e que preservem a identidade da criança. "Como a criança não tem poder de escolha sobre a adoção, é importante que saiba de onde veio, histórico familiar e em quais condições foi deixado. Por pior que seja a verdade, é melhor do que fantasiar sobre a própria origem", diz.
O apego entre pais e filhos faz com que as crianças percebam se os pais falam ou não a verdade e o que sentem. "Muitas crianças sofrem porque acham que estão ocupando o lugar de um filho perdido ou frustração. Elas ficam sem espaço porque não são aceitas de verdade. A adoção tem que ser planejada para evitar este tipo de problema", diz Eric.
Fonte: mulher.terra.com.br

FONTE:http://www.portalsaofrancisco.com.br/